22/11/2009

Não basta ler, tem que ter prazer

Não é uma festa, nem só uma reunião de amigos, mas bem que poderia ser. Na foto, registrei alunos da Escola Estadual Duca Viggiano, no Setor Aeroviário, frequentando a biblioteca da instituição, em plena hora do recreio. É assim todo dia de aula. É claro que nem todo mundo está ali para ler, conhecer novos livros ou pesquisar algo para a escola. Mas não duvide que a porta de entrada para que isso ocorra já foi aberta e tem sido bem encaminhada pela pedagoga Maria das Graças Macedo, dinamizadora na Biblioteca Rui Barbosa.

Chama a atenção a vontade que estes jovens têm de passar o intervalo entre livros (ainda que não seja necessariamente lendo). Eles estão ali por vontade própria. Nada de tornar a biblioteca um lugar de castigo por qualquer fato que desagrade professores e coordenação. Já foi diferente. Era para lá que os alunos eram mandados quando deixavam de fazer exercícios ou cometiam alguma indisciplina – prática (equivocadamente) muito comum até hoje em várias escolas.

Mas há, pelo menos, dois anos, desde que foram iniciados projetos ligados diretamente à biblioteca, a utilização e a própria visão a respeito do uso da sala tem tomado novos rumos. Ler com Prazer é o nome do projeto criado pela professora Graça. Por meio dele, são promovidas oficinas de leitura, trabalhadas datas comemorativas, escritor do mês (homenagem e exposição das obras), cantinho da semana (sugestões de livros para alunos), criação da gibiteca, cantinho da poesia, painel de notícias, jornalzinho, além do blog e do orkut que ela alimenta.

Tudo é muito simples, afinal falo de uma escola pública. O cantinho para os escritores goianos, por exemplo, fica na borda de uma das janelas da biblioteca, que funciona numa pequena sala. A gibiteca é nada mais do que uma caixa de papelão para reunir as histórias em quadrinhos, a maioria doada pelos próprios alunos. Os murais, com fotos e avisos, são feitos de papel. A impressão do jornalzinho, em chamex comum, muitas vezes vem do próprio bolso da dinamizadora. Mas é isto que impressiona: render bons resultados com tão poucos recursos. E só por isso, já vale a divulgação aqui no blog.

Segundo Graça, são cerca de 50 livros emprestados por mês, uma média de 2 por dia (considerados os 21 dias letivos mensais). Isto significa dizer que pelo menos 1 em cada 7 alunos (do total de 356 entre o 7° e o 9° ano) saem da biblioteca com uma obra nas mãos. Para quem via a sala sempre fechada, os números são a certeza de que o trabalho tem dado certo. “Sempre ouvi comentários de que a biblioteca era um espaço morto aqui na escola Duca Viggiano. Com os projetos, houve uma mudança de comportamento”, afirma.

E aí, entre conversinhas e reuniões de colegas no intervalo, não é difícil ver alunos como estes aí de baixo, lendo de verdade!

Estratégias não faltam para atraí-los: concurso de ilustração de poesias com direito a cesta de chocolates para o vencedor; feira cultural com sorteio de revistas voltadas para adolescentes; charadas com fotos antigas publicadas no jornalzinho para que o aluno descubra quem é atualmente a então criança, além de dica de professor na sala de aula.

“A conversa entre os professores sempre se resumia aos problemas com os alunos. Aí, comecei a observar o que os estudantes gostam. Passei a ouvir o outro lado da história e a direcionar nossos trabalhos para isso. Por isso, criei o orkut para a Biblioteca Rui Barbosa e o blog. A garotada tem prazer de se ver na internet”, ressalta Graça.

E de carona com os estudantes, também vão os professores e funcionários do Duca Viggiano. É o que a professora Graça tem buscado: atrair também os adultos da escola. Ainda há resistência. Mas há também reconhecimento e uma crescente participação.

Não tenho dúvidas de que, só pelo fato de passarem a ter mais e melhor contato com livros, fica mais fácil a promoção e a criação do hábito da leitura entre os alunos e (por que não?) professores. E se isso não acontece em casa, tem necessariamente que ser na escola.

08/10/2009

Reflexão

“O que precisamos na sociedade contemporânea é de produtores e consumidores mais inteligentes, mais reflexivos, mais criativos, até para pequenas coisas, como criar o hábito de ler no rótulo dos produtos, o prazo de validade. A sociedade exige reflexão e criatividade, mas valoriza a concorrência de todos contra todos, e isso leva a práticas pedagógicas que não são práticas inteligentes, são práticas cegas, mecânicas.”

Bernard Charlot, filósofo francês, doutor e livre-docente em Educação da Universidade de Paris, professor visitante da Universidade Federal de Sergipe, em entrevista à repórter Patrícia Drummond, publicada hoje, no Popular.

30/09/2009

Desculpem-me… Afastada do blog por conta de viagem e questões de saúde. Logo, logo farei as atualizações e começarei por um projeto na Escola Estadual Duca Viggiano, da professora Graça Macedo, em Goiânia. Aguardem!

Abraço a todos!

15/09/2009

Alimentação saudável tem que ser lei na escola

Uma boa notícia para os alunos de Minas Gerais: a partir do ano que vem, pelo menos enquanto estiverem na escola, estarão livres do bombardeio de alimentos gordurosos, com excesso de açúcar, sal, calorias e sem valor nutricional. Está na lei sancionada pelo governador Aécio Neves (PSDB). O texto diz que lanches e bebidas fornecidas em instituições de ensino públicas e privadas “serão preparados conforme padrões de qualidade nutricional compatíveis com a promoção da saúde dos alunos e a prevenção da obesidade infantil”.

Alguém pode ir contra uma proposta destas? O governador de São Paulo foi e vetou projeto semelhante que tramitava na Assembléia. O motivo: o texto, segundo ele, continha “conceitos vagos e imprecisos, que carecem de rigor técnico”. Em nível federal, também há um Projeto de Lei (PL) sobre o assunto. Mas a documento, que foi apresentado há mais de dois anos, ainda está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), da Câmara dos Deputados.

No PL 127/2007, os estabelecimentos de educação infantil e ensino fundamental, públicos e privados, não podem fornecer, comercializar ou fazer propaganda de alimentos não saudáveis dentro de suas dependências. E deixou a cargo das autoridades sanitárias definir quais alimentos se encaixam nessa categoria. As escolas que desrespeitarem esta obrigação estariam sujeitas a diversas penalidades – advertência, multa, apreensão, inutilização, interdição e suspensão de venda ou fabricação; interdição parcial ou total da instituição; cancelamento do alvará do estabelecimento e intervenção naquelas que recebem recursos públicos.

A justificativa para que o PL ainda não tenha sido aprovado poderia ser simplesmente a morosidade da tramitação de (quase) tudo que diz respeito a leis neste País. Mas não faz sentido negá-lo. Não diante dos índices que vemos dia após dia serem divulgados. Alguns deles: 15% das crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso; há cerca de 20 anos, esse índice era de 3%. Uma criança obesa na idade pré-escolar tem 30% de chances de continuar assim na fase adulta. Se ficar adolescente nas mesmas condições, as chances de ser um adulto obeso crescem para 50%. Tudo isso, sem enumerar a avalanche de doenças e distúrbios a que estão sujeitos por excesso de gordura.

PRÁTICA

Em escolas particulares, já há alguns anos, a troca de guloseimas por alimentos saudáveis é um recurso usado, inclusive, para fazer propaganda e passar a imagem de uma instituição comprometida com o bem-estar e a saúde de seu aluno. Secretarias de Educação e MEC também fazem recomendações. Entidades como a Abeso, Sbem, SBP e algumas universidades formaram o projeto Escola Saudável, com uma série de recomendações.

Mas, na prática, isso pouco altera a realidade da maioria esmagadora das escolas, principalmente das públicas (até mesmo as que preparam a sua merenda escolar). Falta conhecimento, falta capacitação, falta nutricionista, falta hábito, falta boa vontade, falta… legislação. E minha defesa da existência de uma lei, é claro, não significa que a reeducação alimentar nas escolas deva ser deixada a segundo plano. É tão importante quanto.

Alguns sindicatos que representam instituições particulares dizem apoiar a promoção da alimentação saudável. Mas, contraditoriamente, se colocam contra a lei, com a desculpa de que não se pode fazer uma imposição. Não? Se no Brasil, para algo ser respeitado (e até assim, não é regra) precisa, de alguma forma, ameaçar o bolso ou impor punições de alguma forma, então, que seja assim. É preciso correr atrás do prejuízo. E é preciso correr a passos largos, porque a velocidade com que crescem os índices de obesidade é acelerada.

14/09/2009

Vestibular de Pedagogia suspenso em 10 faculdades

O Instituto de Ciências Sociais e Humanas, de Valparaíso de Goiás, e outras nove instituições de Ensino Superior (IES) em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Distrito Federal (veja lista) tiveram seus vestibulares para o curso de Pedagogia suspensos pelo Ministério da Educação (MEC). Isto significa que cerca de 2 mil vagas da graduação deixam de ser ofertadas nos próximos processos seletivos. A decisão, em medida cautelar, passa a valer a partir de hoje.

Estes cursos já tinham sido mal avaliados pelo MEC em 2005 e voltaram a apresentar notas 1 ou 2 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) do ano passado (numa escala máxima de 5). A suspensão será mantida até que haja uma melhoria no ensino ministrado pelas graduações. Isto deve ser comprovado pelas faculdades, que serão visitadas por técnicos do ministério. Medida foi aplicada depois que o MEC divulgou, no último dia 31, o Índice Geral de Cursos (IGC), uma avaliação do ensino superior em todo o País.

Conforme os dados, 38% dos cursos de Pedagogia foram classificados como inadequados (notas 1 ou 2). Dos 34,3 mil formandos que fizeram o Enade, 11,6 mil (34%) estavam em cursos reprovados. Segundo matéria publicada hoje na Folha de São Paulo, entre as 49 faculdades que tiveram notas baixas em 2005, só 9 alcançaram patamar adequado no Enade de 2008. Outras 23 repetiram os índices insatisfatórios no Enade. O que agrava a situação dos cursos que tiveram vestibulares suspensos é que foram mal avaliados também no Conceito Preliminar de Curso (CPC), que considera fatores como infraestrutura e perfil do corpo docente.

Instituições com vestibular de Pedagogia suspenso:

Faculdades Integradas Diamantino (MT)

Faculdade de Jandaia do Sul (PR)

Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Carlos Queiroz (SP)

Faculdade de Ilha Solteira (SP)

Faculdades Integradas de Naviraí (MS)

Faculdades Integradas de Cassilândia (MS)

Faculdades Integradas de Paranaíba (MS)

Faculdade Jesus, Maria, José (DF)

Faculdades Integradas da Terra de Brasília (DF)

Instituto de Ciências Sociais e Humanas (GO)

Fontes: Folha de São Paulo e MEC

31/08/2009

12 universidades brasileiras entre as melhores do mundo

Doze universidades brasileiras aparecem entre as 500 melhores do mundo, segundo o ranking Webometrics feito pelo Cybermetrics Lab, um grupo de pesquisa do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), da Espanha. Dentre as tupiniquins, a Universidade de São Paulo (USP) teve a melhor classificação: ficou no 38º lugar – é a 1ª da América Latina. Comparado à última avaliação, feita em janeiro – a lista é divulgada duas vezes por ano, em janeiro e julho – , a USP subiu 49 posições (estava na 87ª).

Na sequência nacional, estão as universidades Estadual de Campinas (Unicamp), no 115º lugar; Federal de Santa Catarina (UFSC), em 134º, e Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), em 152º (veja as outras no quadro abaixo).

O Webometrics acompanha 17 mil instituições de ensino superior em todo o mundo. Para compor o ranking, leva em consideração fatores como o comprometimento do quadro docente, resultados de pesquisas, prestígio internacional da universidade, a importância dela para a comunidade e se seus estudos são utilizados nos setores econômico e industrial.

Segundo o Webometrics, o ranqueamento e as mudanças propostas na forma de classificar as instituições tiveram como efeito principal a melhoria geral das universidades de países em desenvolvimento, como no caso do Brasil. O órgão cita a USP como destaque latino-americano em rede acadêmica.

Já as unidades coreanas de ensino superior ficaram abaixo do esperado. De acordo com a avaliação, seus conteúdos são restritos basicamente para os seus alunos (vale lembrar que a Coréia do Sul foi muitas vezes citada com destaque em Educação por diversos estudos).

Noruega, Espanha e Portugal são países apontados pela forte performance na nova Europa, principalmente pelo aumento de seus repositórios de acesso livre. Entretanto, na França, ainda há prejuízos pela grande “fragmentação do seu sistema de ensino superior”, afirma o relatório.

(Com informações do UOL Educação e do Webometrics)

Ranking das brasileiras entre as 500 melhores

Posição

Instituição

País

38ª

Univ. de São Paulo (USP)

Brasil

115ª

Univ. Est. de Campinas (Unicamp)

Brasil

134ª

Univ. Fed. de Santa Catarina (UFSC)

Brasil

152ª

Univ. Fed. do Rio Grande do Sul (UFRS)

Brasil

196ª

Univ. Fed. do Rio de Janeiro (UFRJ)

Brasil

204ª

Univ. de Brasília (UnB)

Brasil

241ª

Univ. Fed. de Minas Gerais (UFMG)

Brasil

269ª

Univ. Est. Paulista (Unesp)

Brasil

352ª

Univ. Fed. do Paraná (UFPR)

Brasil

354ª

Pontificia Univ. Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)

Brasil

419ª

Univ. Fed. do Rio Grande do Norte (UFRN)

Brasil

422ª

Univ. Fed. da Bahia (UFBA)

Brasil


As 10 mehores do mundo

Posição

Instituição

País

Instituto de Tencologia de Massachusetts

EUA

Universidade de Harvard

EUA

Universidade de Stanford

EUA

Universidade Berkeley da California

EUA

Universidade Cornell

EUA

Universidade Madison de Wisconsin

EUA

Universidade de Minnesota

EUA

Instituto de Tecnologia da Califórnia

EUA

Universidade Urbana Champaign de Illinois

EUA

10ª

Universidade de Michigan

EUA


(Fonte:  Cybermetrics Lab – CSIC – Espanha)

30/08/2009

Frase

“Nietzsche, meu filósofo favorito, dizia que a primeira tarefa da educação é
ensinar a ver. Ou seja, o educador é parte de uma tarefa mágica, capaz de
encantar crianças e adolescentes, o que é bem diferente de simplesmente dar
aula. Dar aula é só dar alguma coisa.
Ensinar é muito mais fascinante.”
(Rubem Alves, psicanalista e educador, professor emérito da Universidade Estadual
de Campinas, em entrevista à Revista Nova Escola – maio/2002)

“Nietzsche, meu filósofo favorito, dizia que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. Ou seja, o educador é parte de uma tarefa mágica, capaz de encantar crianças e adolescentes, o que é bem diferente de simplesmente dar aula. Dar aula é só dar alguma coisa. Ensinar é muito mais fascinante.”

(Rubem Alves, psicanalista, educador e escritor, em entrevista à Revista Nova Escola – maio/2002)

28/08/2009

Municípios paulistas estão no topo da Educação

Esmagadoramente, São Paulo tem a melhor Educação do País. Isso, segundo mais um índice de desenvolvimento divulgado esta semana, desta vez, pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). O IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal) pesquisou todo o País e leva em consideração dados oficiais referentes a Emprego e Renda, Educação e Saúde.

Quem lidera o ranking com a melhor média das três áreas de desenvolvimento humano é o município de São Caetano do Sul (SP), com índice 0,9524 de IFDH (numa escala que vai de 0 a 1). Mas quem teve a melhor nota em Educação foi Dolcinópolis (SP), o único que alcançou valor máximo nesta área, com 1. A cidade tem pouco mais de 2,2 mil habitantes e fica a 600 quilômetros da Capital, na região de Jales.

Daí para a frente, o ranking do IFDH-Educação é só das cidades paulistas até a 160ª posição. Só então entra um município mineiro – Cachoeira da Prata –, em 161º lugar, e, mais adiante, um goiano – Chapadão do Céu –, em 164º. Dos 300 primeiros colocados nesse índice, 290 são do Estado de São Paulo.

Fora quatro cidades que não tiveram cálculo do índice educacional – Figueirão (MS), Ipiranga do Norte (MT), Itanhangá (MT) e Aroeiras do Itaim (Piauí) –, o pior lugar no ranking da Educação é de Maiquinique (BA), com 0,2735. Fica a 741 quilômetros de Salvador e tem cerca de 8,84 mil habitantes. Na Bahia estão também as outras três piores posições. O primeiro município baiano que aparece na lista educacional está na 2.080ª classificação: Madre de Deus.

O IFDM-Educação avalia tanto a oferta quanto a qualidade da educação em escolas públicas e privadas dos municípios brasileiros. Os dados divulgados nesta pesquisa foram coletados em 2006, quando houve um recuo na média brasileira na área educacional de 0,6850, em 2005, para 0,6787, no ano seguinte, o que representa uma redução de menos de 1%. Parece pouco, mas, qualquer que seja a diferença para menos, significa, em tantas outras palavras, que: ao invés de avanço, houve regressão na área educacional; que os recursos não têm sido bem utilizados; que não se pensa em alternativas dinâmicas e eficazes; que a Educação não está entre as prioridades, etc

Segundo o jornalista Ricardo Meirelles, editor de sites brasileiros como da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apesar de importante, Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal é limitado em sua “capacidade de refletir as condições da população como um todo”. Para o cálculo do subíndice de Educação, por exemplo, são considerados apenas indicadores escolares, “o que deixa de fora portanto toda a população que não está na escola, como adultos, de maneira geral, analfabetos”, explica.

GOIÁS

Goiânia está no topo do ranking geral do IFDM em Goiás, mas o município que ocupa o 1° lugar em Educação é Chapadão do Céu, com 0,8880. A cidade está a cerca de 480 quilômetros da Capital e tem aproximadamente 5,8 mil habitantes

Diferente do que publicou O Popular na terça-feira, 25, Goiânia não está entre as primeiras na classificação nacional para nenhum dos índices. Entre os municípios goianos, a Capital lidera apenas o IFDM-Emprego&Renda. Está em 33°, em Saúde, e em 134°, em Educação. A pior colocação goiana no subíndice educacional é de Baliza, com 0,4143.

BRASIL
Os 10 melhores

Ranking IFDM Educação

Município

Índice Educação

IFDM

Ranking IFDM

Dolcinópolis

1,0000

0,7857

295º

Sebastianópolis do Sul

0,9952

0,8453

95º

Bilac

0,9880

0,7901

273º

Santa Rita d’Oeste

0,9561

0,7576

450º

Cedral

0,9501

0,7666

387º

Ouroeste

0,9500

0,8138

178º

Turmalina

0,9479

0,7478

540º

São Caetano do Sul

0,9475

0,9524

Gabriel Monteiro

0,9475

0,6903

1231º

10º

Vista Alegre do Alto

0,9471

0,8772

29º

Os 10 piores

5551º

Mascote

0,3253

0,3699

5524º

5552º

Caatiba

0,3250

0,3949

5468º

5553º

Presidente Jânio Quadros

0,3205

0,4198

5345º

5554º

Trairão

0,3196

0,4612

4901º

5555º

Piraí do Norte

0,3178

0,3845

5497º

5556º

Brejo do Piauí

0,3168

0,4454

5103º

5557º

Bom Jesus da Serra

0,3127

0,3844

5498º

5558º

Piripá

0,3122

0,4069

5413º

5559º

Wenceslau Guimarães

0,2970

0,4066

5414º

5560º

Maiquinique

0,2735

0,4115

5390º

GOIÁS
Os 10 melhores

Ranking IFDM Educação

Município

Índice Educação

IFDM

Ranking IFDM

Chapadão do Céu

0,8880

0,7402

10º

Ceres

0,8467

0,7226

12º

Nova Aurora

0,8420

0,7067

20º

Carmo do Rio Verde

0,8187

0,6446

89º

Goiandira

0,8183

0,6690

53º

Inaciolândia

0,8124

0,6627

60º

Cumari

0,8101

0,6277

125º

Caturaí

0,8035

0,6733

49º

Palestina de Goiás

0,8033

0,6487

83º

10º

Três Ranchos

0,8015

0,6826

39º

Os 10 piores

237º

Flores de Goiás

0,5442

0,5018

243º

238º

Moiporá

0,5427

0,5617

217º

239º

Luziânia

0,5395

0,6300

117º

240º

Guapó

0,5389

0,5901

179º

241º

Cavalcante

0,5287

0,5816

191º

242º

Novo Gama

0,5244

0,5695

206º

243º

Iaciara

0,5191

0,5253

238º

244º

Avelinópolis

0,5030

0,5757

199º

245º

Águas Lindas de Goiás

0,4777

0,5320

235º

246º

Baliza

0,4143

0,5241

239º

Fonte:  Firjan

27/08/2009

Relato de uma professora de Matemática

Reproduzo aqui um texto do Blogstraquis, postado no último dia 20. É um resumo do sucateamento do ensino no Brasil. E não é exagero, porque já aconteceu isso (e outros episódios até piores) comigo.
Com você não?

RELATO DE UMA PROFESSORA DE MATEMÁTICA

Semana passada comprei um produto que custou R$ 1,58. Dei à balconista R$ 2,00 e peguei na minha bolsa 8 centavos, para evitar receber ainda mais moedas.

A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 50 centavos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00.
Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2007:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00


17/08/2009

Educação inclusiva: desafios da regulamentação, do preparo e da prática

1) Pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e superdotação devem ser matriculadas obrigatoriamente em escolas comuns
2) É garantido o atendimento educacional especializado de acordo com cada necessidade, que deve ser feito no contra-turno, de preferência, na mesma escola
3) Cada aluno especial será computado em dobro pelo Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), quando matriculado em classes comuns e tiver atendimento especializado

Estes são os três pontos que resumem a Resolução 13 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que regulamentaria o Decreto 6.571/2008 e começaria a valer a partir do ano que vem. Mas o parecer foi rejeitado na semana passada pelo MEC e, é claro, levantou debates entre defensores e contrários à proposta.

Sempre que volto ao assunto da inclusão na Educação brasileira, me vem à mente aquele velho questionamento do ovo e da galinha: “Quem nasceu primeiro?” Deixe-me explicar.

O princípio da inclusão é inquestionável. Primeiro, por uma questão de direitos. Qualquer que seja a necessidade de um aluno, seja física, mental ou de aprendizado, não pode ser empecilho para que ele participe do sistema de ensino e conviva com os demais. É difícil admitir que, ainda hoje, haja segregação por causa de diferenças e especificidades. Esse tabu existe e ainda está arraigado no “entendimento” social. Digo entendimento, porque muita coisa não fica clara nem mesmo para a família, que teoricamente é a mais interessada no progresso de seu ente especial.

Entre o censo comum, é difícil assimilar que alguém que tenha deficiência mental, por exemplo, possa frequentar uma aula de matemática e tirar proveito disso. Ou que uma criança surda não precise procurar uma escola fora da sua comunidade para aprender, mas, ao contrário, é o apoio especializado que deve ir até ela, dentro da sua sala.

Depois, não resta dúvidas de que a convivência em um ambiente regular influencie de forma positiva no desenvolvimento de uma pessoa com necessidades especiais. Sem contar que é uma via de mão-dupla: há muito a ganhar também por parte dos colegas que a recebem. E ainda, é preciso lembrar que a escola é responsável por disseminar os preceitos básicos da igualdade, do respeito à diversidade, da informação sobre as diferenças.

Mas, embora inquestionável, a inclusão ainda se restringe ao campo das idéias. Não exagero ao dizer que, salvo poucos exemplos, as escolas não estão prontas para praticar de fato a inclusão. E isso vai além do preparo físico – de infra-estrutura, instalações e adaptações. O despreparo mais gritante e que, ao meu ver, é o maior dos entraves para a inclusão na Educação está na “ignorância” da mão-de-obra. Aqui, entenda-se por ignorância o conceito original da palavra: a falta de conhecimento mesmo, de instrução.

Por mais boa-vontade que um professor tenha em receber um deficiente em suas aulas, não haverá atendimento satisfatório se ele não tiver um mínimo de capacitação para lidar com as necessidades do outro. A linguagem, os cuidados, a intermediação entre os alunos e uma série de outros pontos fundamentais são pré-requisitos para que a inclusão realmente funcione. Por isso, o material humano deveria ser o primeiro a ser preparado para isso. Todos, sem exceção, desde os docentes, os gestores, a merendeira, o porteiro, a zeladora devem estar prontos para atender o aluno especial.

Além disso, entra o outro lado indispensável, que é o atendimento especializado. Ele é necessário justamente para suprir aquilo que o ensino comum não consegue no dia a dia de um aluno com deficiência. Aí estamos falando de disponibilizar os mais diversos tipos de profissionais (fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais), o que hoje é feito em escolas especiais (que atendem somente alunos com deficiência, como a Apae).

Aqui, sim, volto à questão do ovo e da galinha. Precisamos incluir os que têm deficiências e distúrbios para que os direitos sejam cumpridos de forma igual e irrestrita. Mas despejá-los em um sistema incapaz de atendê-los nas suas especificidades é, sem dúvida, perpetuar a segregação.

Abaixo, opiniões concedidas ao Observatório da Educação.

Em defesa do parecer:

“Por mais comprometida que esteja a criança, o lugar educacional dela está assegurado. Uma criança com pneumonia, por exemplo, não vai à escola. Mas o lugar educacional dela está lá. No caso da deficiência, não conheço nenhum caso em que a criança tenha uma deficiência tão grave que não vá se beneficiar nunca de um ensino comum, do contato com as outras crianças. As escolas querem, infelizmente, apenas os casos mais simples. Mas defendemos o direito da criança. Quanto mais comprometido, mais deve ser atendida nesse seu direito humano à diversidade, à educação, a conviver com sua geração. Claro que se for uma criança com surtos psicóticos, por exemplo, isso tem de ser tratado, mas o lugar dela está assegurado na sala de aula. Não vai ser ensinada o tempo todo segregada, justamente porque precisa do contrário, precisa sempre estar inserida. E não é esse o público das escolas especiais. Nessas escolas, o contato é simplesmente com crianças com deficiência, que têm diferenças significativas em relação às que não têm deficiência. É desse público que estamos falando: crianças excluídas do ensino comum e que têm direito também a estar lá com sua geração.”

Eugênia Fávero, procuradora da república e autora do livro “Direitos das pessoas com deficiência”

Contrária ao parecer:

“A cautela que se deve ter é que, se você envia todos os tipos de pessoas com deficiência para a escola comum, nem todos vão poder ser realmente contemplados no processo educacional. Pelas características das pessoas, pelas necessidades. Senão, o que pode acontecer é ele simplesmente deixar de frequentar a escola, evadir-se, e não ter mais para onde ele ir. Defendemos uma questão processual. À medida que a escola comum vá criando possibilidades de atendimento às diversidades, a escola especial poderá ficar apenas com aqueles de maior comprometimento. Espero que um dia a escola comum possa até atender a todos, em igualdade de condições. Inclusão, no nosso entendimento, é dar a oportunidade de que a pessoa adquira autonomia e independência. Então, se você coloca ali uma pessoa que tem um alto comprometimento, e ele não recebe todas as abordagens necessárias para adquirir essa autonomia e independência, não significa que ele vai alcançar a inclusão. O sistema educacional comum tem muito a caminhar neste sentido.”

Eduardo Barbosa, deputado federal (PSDB-RJ) e presidente da Federação Nacional das APAEs