Magistério atrai menos qualificados?

A última edição da revista Ideal Comunitário, do Instituto Camargo Corrêa (ICC), traz uma entrevista interessante com o presidente-executivo do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves. Entre vários assuntos importantes, me chamou a atenção a resposta que ele deu à seguinte pergunta: “Qual o principal desafio da educação no Brasil?”

“A valorização do magistério. O Brasil tem um déficit de 250 mil professores. Além disso, a maioria dos docentes não é formada na disciplina que leciona. Somente 9% dos que dão aula de Física são formados em Física. (…) O piso salarial, de 950 reais, também deve ser cumprido para atrair jovens talentosos. A Finlândia atrai os 20% mais qualificados para a carreira do magistério. No Brasil, os 20% menos qualificados vão para essa área. O desafio da qualidade passa por gente motivada, qualificada e em quantidade suficiente.(…) Mas formar gente leva uma geração.”

A afirmação é um tanto perigosa, uma vez que muitos professores podem se sentir ofendidos, se mal compreenderem a idéia. Mas eu não acho que Mozart Neves quis nivelar toda a categoria docente a desqualificada. Para mim, o que ele quis dizer é que os melhores de cada área não seguem carreira docente, principalmente pela falta de incentivo salarial. Ao contrário dos piores, que, sem enxergar outro caminho para exercer outra profissão, optam por ser professores, não pela vocação, mas pela falta de opção de trabalho.

Esta edição da revista ainda não está online, mas vale à pena conferir as anteriores no site do ICC.

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